Violência em Cabo Delgado já provoca deslocação de mais de 20 mil pessoas, alerta relatório da ONU
O agravamento da violência e da insegurança em vários distritos da província de Cabo Delgado já forçou a deslocação de mais de 20 mil pessoas, segundo um recente relatório divulgado pelas Nações Unidas.
De acordo com o documento, a intensificação de ataques armados na região norte de Moçambique desencadeou um novo fluxo de deslocados, com milhares de famílias a abandonarem as suas casas e bens em busca de zonas consideradas mais seguras.
Pressão sobre comunidades de acolhimento
As agências humanitárias da ONU alertam que o aumento repentino de deslocados está a exercer forte pressão sobre as comunidades de acolhimento, que já operam no limite da sua capacidade em termos de serviços básicos.
Os pontos de concentração temporária enfrentam condições críticas, com carências significativas de abrigo, alimentação, água potável, saneamento básico e assistência médica primária.
O relatório sublinha ainda que a deterioração das condições nos locais de acolhimento aumenta o risco de propagação de doenças e outras emergências de saúde pública.
Populações em situação de elevada vulnerabilidade
Segundo a ONU, os deslocados encontram-se em situação de extrema vulnerabilidade, com necessidades urgentes de apoio humanitário e protecção social.
Foram também registados casos de separação de famílias durante as fugas, aumento de riscos de violência baseada no género e perda total dos meios de subsistência, especialmente entre comunidades dependentes da agricultura de subsistência.
Resposta humanitária sob pressão
Apesar dos esforços do governo e de parceiros humanitários no terreno, a capacidade de resposta continua abaixo das necessidades reais, enquanto o número de deslocados continua a crescer.
As organizações envolvidas nas operações de assistência alertam que a procura por ajuda humanitária está a aumentar mais rapidamente do que os recursos disponíveis.
A persistência da violência em Cabo Delgado mantém a província como um dos principais focos de crise humanitária em Moçambique nos últimos anos, exigindo intervenção contínua e coordenada para mitigar o impacto sobre as populações afectadas.

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